quinta-feira, 3 de julho de 2008

O preço dos alimentos e...

...as compras do mês.

Com este eu inicio aqui uma série de artigos que tratarão deste assunto que tem ameaçado nossas noites de sono. Aqui mesmo neste blog, no artigo “A agricultura tradicional e suas mazelas”, nós já tratamos de desvendar os motivos da atual crise de preços dos alimentos e sua conseqüência pelo mundo afora.

Ainda que não nos seja possível, como pequenas formigas que somos, atuar diretamente nos mercados mundiais e reduzir os preços daquele que nos é o mais sagrado dos produtos, existem algumas atitudes que podemos tomar em nossa vida pessoal para minimizar os efeitos nefastos da inflação que nos assola e preocupa.

Desde os tempos da hiperinflação nós, os brasileiros, nos acostumamos a fazer a tal “compra dos mês”. Naquela época fazia todo o sentido estocar os alimentos no mesmo dia em que o salário era depositado em nossa conta pois, se deixássemos para amanhã, talvez só pudéssemos levar para casa a metade dos produtos.

No entanto, como conseqüência desagradável desta ação, boa parte dos alimentos que compramos em nossa visita mensal ao supermercado, seja in natura, seja após sua preparação, acaba indo parar num lugar bem menos interessante do que se ficasse naquela gôndola.

"Um estudo histórico a respeito das civilizações européias desde antes dos tempos de Roma demonstrou que, nos períodos de maior escassez de alimentos, estes poderiam ser fartamente encontrados... no lixo." (Luciano Legaspe)

Isto explica-se pelo fato de que, ao estocar produtos perecíveis, principalmente em locais de clima tropical e alta umidade, como o nosso, a chance de que se deteriorem antes do consumo é muito alta.

Ainda que nos tempos contemporâneos, onde as geladeiras e freezeres são equipamentos onipresentes em nossos lares, as duas atitudes sobre as quais eu mais ouço falar na cozinha são, “a mania de fulana de guardar os restinhos de alimentos em potinhos na geladeira” e a necessidade de “limpar a geladeira”, de quando em quando, para jogar fora o conteúdo dos tais potinhos junto com as cenouras, tomates, brócolis (argh!) e folhas estragadas da gaveta de verduras.

Além disto, não é raro ouvir nas reuniões informais com os amigos comentários do tipo “é claro que tinha que engordar, a patroa insiste em cozinhar um panelaço de arroz, e quatro bifes à parmegiana para o jantar”, fora o pudim e a torta de limão que, apesar de lutar bravamente o casal sem filhos não consegue consumir e as sobras acabam parando, adivinhem... num daqueles potinhos. E não trata-se de simples pujança, a preocupação maior da "patroa" sempre será a de que os alimentos não se estraguem na geladeira.

Se nós pudéssemos diminuir o tamanho de nossa despensa e programar os cardápios de nossas refeições com antecedência, dando atenção ao tamanho das porções que preparamos, seríamos capazes de fazer duas ou três aquisições de alimentos em cada semana, comprando apenas os produtos que realmente seriam consumidos nos próximos três ou quatro dias.

Assim, além de evitarmos que cheguem ao lixo, ao diminuir a quantidade dos alimentos preparados também reduziríamos o consumo da energia elétrica ou do gás empregados no processamento e refrigeração das porções extras.

Com isto, estaríamos economizando boa parte do salário pelo qual dispendemos muito de nosso suor, além de colaborar em nossa eterna briga contra aquele monstro que sempre parece torcer por nossa derrota... a balança que dorme embaixo da pia do banheiro.

Como sei que não é tarefa fácil a de organizar a vida doméstica, desejo boa sorte a quem se aventurar na empreitada. Divirtam-se...

4 comentários:

Spina disse...

Alexandre,

A equação do planeta não está fácil. Mas acredito que a inflação e o aumento dos custo seja um bom remádio contra os potinhos na geladeira.

Os usos e costumes estão ligados mais ao bolso do que ao bom senso. A inflação não é de todo mal, mas tem que ser combatida, e como você mesmo disse, evitando o disperdício.

Alexandre

Jose Ramos de Carvalho disse...

Vivemos e passamos pelos periodos de hiperinflação e suas formas de defesa do inico salario do mês as vezes de apenas 20 dias. Porém foi possivel que uma geração de brasileiros pudessem conhecer um pais de inflação controlada. Existe uma ação global antagonica de uso de energias do oleo a cana de açucar em uma mistura onde o poder esta fincado na mão de poucos paises, e libertar outros economicamente pode alterar substancialmente o equilibrio tradicional e principalmente a continuidade da vida no planeta.

Alexandre Alves disse...

Pois é meu amigo Alê,

Como minha avó já dizia, os remédios amargos são os que curam mais rápido.

Obrigado por sua participação e um grande abraço.

Flavia disse...

se nos concertrarmos um pouco e nos planejarmos semanalmente possibilita o consumo de produtos naturais por outro lado, temos a dificuldade (pelo menos eu tenho) de ir no suopermercado e trazer exatamente o que se encontra na lista de compras e com isto o custo aumenta (e muito) do supermercado mensalmente.

vale a pena refletir!!!

Flavia Encinas